Regresso

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Ando me sentindo meio só. Não aquela solidão em que você está cercado de inúmeras e insubstituíveis pessoas e se sente vazio. Não aquela em que você procura isolar-se, fugir pelo caminho contrário ou se esconder em uma rua deserta sem saída. Não aquela solidão que, quando você olha seu reflexo, percebe que está apenas oco.

Não é nada disso.

Ando me sentindo meio só, mas é um vazio diferente. Como se, por alguma peça do destino, você se sentisse caminhando para trás, relembrando memórias que rasgam com suas lúgubres e finas garras a sua mente - ou a sua vontade de enxergar algo novo. 

Como um telespectador, que senta de frente para a janela e, ao invés de assistir o sol nascendo e seus raios emaranhando-se às folhas das árvores que, suave e tranquilamente, movem-se de um lado para o outro, como um pêndulo. E esse movimento agarra-o, puxa-o de volta para uma outra lembrança, um outro tempo. Ao invés de contemplar as cores sublimes da aurora, agarra-se à lembrança da última noite. Vislumbra, mais uma vez, o brilho das estrelas e de como a lua parecia tão próxima de seu alcance. Como se fosse possível tocá-la e, assim, apenas assim, paralisar o tempo. 

Ando me sentindo meio só, da maneira como se, apenas eu estivesse caminhando para trás, tentando levar algumas pessoas que encontrasse pelo caminho. Mas elas, assim como todas as outras, quisessem continuar seguindo seus passos sempre para frente, sem nem ao menos parecem se lembrar de como é olhar para trás de vez em quando.

Nessa retrógrada caminhada deparo-me com cores, tons e sons únicos, que me lembram cada rosto, cada momento, cada movimento. 

Não posso impedir. Sinto-me como se estivesse sendo puxado por uma onda. E o pior, é que ninguém parece ver. 

Não quero ficar só. Não quero isolar-me do mundo e conter esses sentimentos apenas para mim. Não quero contemplá-los escondidos, como se fossem felicidades clandestinas. Tão pouco quero esquecê-los. Quero poder falar sobre isso com outras pessoas sim, e também espero conhecer outras novas. Quero poder caminhar para frente, seguir o caminho sem me preocupar com linhas paralelas ou com caminhos opostos. Quero tudo novo: Coisas novas, pessoas novas, sentimentos novos, novos, novos...
Mas algo ainda falta. Quero buscar algo do passado. Algo que ficou escondido, soterrado durante os passos descontrolados.

Quero que o passado caminhe ao lado do futuro, como um símbolo do yin yang, onde ambos coexistem sem alterar um ao outro. Mas tem como?

Ando me sentindo meio só.

5 comentários:

  1. Amei o texto! Me identifiquei, então não se sinta só pois estamos juntas nessa :)
    Beijinhos

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